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ARQUIVO - NO MUNDO DOS FAMOSOS
 


Entrevista Especial com MANUELA DIAS

Hoje estreia a nova minissérie brasileira da TV Globo: “Ligações Perigosas”, uma trama que promete ao público um verdadeiro embate entre o desejo e a virtude, entre o amor e a vingança... E por essa nobre razão trago a vocês uma “Entrevista Especial” com a autora dessa produção que tem tudo pra ser um dos grandes destaques da teledramaturgia brasileira deste ano. Minha entrevistada possui um currículo invejável, pois já trabalhou com grandes nomes da dramaturgia e da literatura, transitou com total maestria no Cinema, no Teatro e na TV. E, é uma das principais apostas da TV Globo nesse ano de 2016, pois além de estrear hoje como autora-titular da nova minissérie da emissora ela já emplacou outro trabalho no segundo semestre, a novela “Justiça” que irá ao na faixa das 23 horas. Conferia a seguir uma entrevista exclusiva com a autora MANUELA DIAS.

“Eu trato todos os públicos com respeito e reverência à sua inteligência e sensibilidade...”

(Manuela Dias)

Jéfferson Balbino: Como surgiu seu interesse pela carreira de roteirista?

Manuela Dias: Ler e estudar sobre a Grécia foi o estopim para tudo na minha vida. Leio os mitos desde criança e estudo grego arcaico desde os 17 anos. Dramaturgia, mitologia e filosofia grega são um norte definitivo para mim.

Jéfferson Balbino: A partir de hoje você fará sua estreia como autora-titular da minissérie “Ligações Perigosas”. O que o público pode esperar desse seu novo trabalho?

Manuela Dias: “Ligações Perigosas” é uma história intimista, não tem aventura, mas tem muita ação. O público pode esperar personagens complexos, que nos desafiam na nossa multiplicidade individual. A direção é um primor e deu unidade a todos os departamentos criativos, as atuações estão fantásticas e trazer o Selton [Mello] de volta para a TV o que é um prazer e uma honra. Arte, figurino e fotografia se juntaram para criar um ambiente luxuoso e crível ao mesmo tempo. Estou muito feliz com o resultado da minissérie.

Jéfferson Balbino: E como foi contar com a supervisão da nossa querida Duca Rachid?          

Manuela Dias: A Duca Rachid e a Thelma Guedes me levaram para o mundo das novelas na época de “Cordel Encantado”, quando fui colaboradora. As duas são muito generosas e divertidas. Sou eternamente grata à forma como me receberam naquela época e elas se tornaram amigas e parceiras pra vida toda. Duca foi de uma generosidade indecente, me deu a mão e toda liberdade para que eu contasse essa história do meu jeito.

Jéfferson Balbino: É perceptível que o telespectador de minissérie é um publico, muitas vezes, mais exigente que o telespectador de novela. Você acredita que esse fato faz aumentar a responsabilidade do autor de minissérie?

Manuela Dias: Eu trato todos os públicos com respeito e reverência à sua inteligência e sensibilidade. Todo mundo quer qualidade. A responsabilidade de escrever para TV é enorme, ainda mais pra Globo que tem um padrão de qualidade altíssimo e um público muito abrangente. Já escrevi pra seriados como “A Grande Família”, “Aline”, “Faça Sua História”, para programas de humor como o antigo “Zorra Total”, participei da programação infantil quando escrevi para “Bambuluá” e escrevi histórias para o programa da Xuxa, sempre fiz tudo levando em conta a imensa responsabilidade de se comunicar com milhões de pessoas no Brasil todo.

 

Jéfferson Balbino: Que lembranças você tem da época que trabalhou com o inesquecível João Ubaldo Ribeiro e da época que foi aluna do grande Gabriel Garcia Márquez?

Manuela Dias: João Ubaldo era baiano como eu, foi professor e depois amigo de minha mãe, Sônia Dias, veraneava na lendária Ilha de Itaparica onde passei todos os verões até os 16 anos. Era uma pessoa muito leve e com uma convivência fantástica, além de ser o João Ubaldo, claro! Um gênio. Aproveitei o quanto pude o convívio. Trabalhamos no “Faça Sua História” junto com o meu mais que querido Geraldo Carneiro, uma pessoa que sempre apostou em mim e que, por isso, sinto que está comigo em cada nova realização e novo desafio. Tenho reverência pelos meus mestres e uma memória cheia de gratidão por cada professor que tive, da escola à Cuba. Estudei com o Gabriel García Marquez por um mês em Cuba e claro que foi uma experiência transformadora, a intimidade dele com qualquer história era instigante.   

Jéfferson Balbino: Você já escreveu para o Teatro, para o Cinema e para a TV. Em qual desses veículos você encontra o habitat pra sua alma de escritora?

Manuela Dias: Amo escrever para qualquer meio onde a dramaturgia, o diálogo, encontre praça. Cada um com suas especificidades e desafios particulares.

Jéfferson Balbino: Atualmente a teledramaturgia brasileira está vivenciando uma fase onde a realidade se sobressai em detrimento da fantasia. Eu já li algumas declarações em que você demonstra ser uma autora que preza pela emoção do seu público. Você acredita que a telenovela tem que manter firme essa função que adquiriu nos últimos tempos de mostrar a realidade social mesmo que tire do público o escape pra fantasia?

Manuela Dias: Cada autor encontra suas molas criativas, às vezes na realidade, às vezes num campo mais fantasioso. É importante que cada um siga seu instinto e estilo.

Jéfferson Balbino: Em 2015, você lançou no Festival do Rio, o “Love Film Festival”, seu primeiro longa-metragem como diretora. Pensa também em dirigir pra TV?

Manuela Dias: Não. Dirigi no cinema criando uma estrutura muito leve, com uma equipe de 7 pessoas, 3 atores no elenco, apesar da alta tecnologia que usamos. Fiz um longa e vou fazer mais dois, provavelmente em 2017, mas não sou diretora. Sou uma roteirista que eventualmente dirige projetos muito particulares e específicos. Considero que sou mais editora do que diretora, inclusive. Montei um longa que esteve no Sundance Film Festival em 2004, “Sólo Dios Sabe”, do mexicano Carlos Bolado, e quase sempre participo da edição dos filmes que faço, quando existe esse espaço com o diretor.

Jéfferson Balbino: Agora em 2016, além de “Ligações Perigosas” você irá emplacar outro projeto, uma novela para o horário das 23 horas. Sei que ainda é muito cedo, mas seria possível adiantar alguma coisa sobre esse projeto pra saciar nossa curiosidade? O título definitivo será mesmo “Justiça”?

Manuela Dias: Ainda estamos em um estágio embrionário do “Justiça”, é um projeto que ainda está no berçário...

Jéfferson Balbino: Ser autor de novelas no Brasil é uma profissão muito cobiçada e cada vez mais restrita. Qual o caminho viável você recomendaria pra quem deseja seguir essa carreira?

Manuela Dias: Não existe caminho. Acho que como em tudo o que existe é investirmos em nós mesmos, na nossa formação.

Jéfferson Balbino: 2016 será o ano de Manuela Dias, além de dois projetos pra TV você ainda dará luz à Helena, ou seja, o destino reservou deliciosas emoções pra sua vida, né? Como está sendo conciliar todas essas realizações?

Manuela Dias: Acredito na construção da vida a passos de formiguinha. Trabalho na Globo há 18 anos e escrevo para teatro e cinema há 20. Então não tem muito essa de “o ano de Manuela Dias”. “Manuela Dias” não existe, é um ser em formação e transformação como todos, vamos nos fazendo no gerúndio. Construí um espaço autoral fora da Globo com peças e filmes que aos poucos foi se realizando dentro da empresa, o que claro era um sonho. Na Globo temos os melhores profissionais do ramo, atores, diretores, uma estrutura que não está formada no cinema. Ter um filho sempre foi um sonho e como tudo é também uma construção, dia a dia, mês a mês, vou virando mãe antes dela chegar. Tudo co-existe.  

Jéfferson Balbino: Por falar em novelas, se você pudesse escrever um remake de algum clássico da teledramaturgia brasileira qual escolheria?

Manuela Dias: Não sei...

Jéfferson Balbino: Antes de finalizar: Você é uma autora/roteirista que assiste novelas? Quais foram as melhores que assistiu na condição de telespectadora?

Manuela Dias: Claro que assisto novelas! Sou a maior noveleira desde criança. Isso de gente que faz TV não assistir à TV é uma coisa que eu não entendo. “Guerra dos Sexos”, do Silvio de Abreu, foi à primeira novela que eu vi, aos sete anos, e me lembro até hoje do último capítulo. Minha mãe entrou no meu quarto porque me ouviu chorar e eu expliquei que ia sentir saudade dos personagens. Esse sentimento de familiaridade, essa proximidade dos personagens dentro da nossa casa, é uma coisa que eu busco sempre. “Vale Tudo”, “Roque Santeiro”, “Tititi”, “A Gata Comeu”, “Avenida Brasil”, “O Dono do Mundo”, “Mulheres Apaixonadas”, “Barriga de Aluguel”... Nossa, eu poderia seguir numa lista interminável de novelas que foram inesquecíveis pra mim! 

Jéfferson Balbino: Querida, muito obrigado por conceder essa entrevista ao “No Mundo dos Famosos”. Todo o sucesso do mundo pra você, um magnifico Ano Novo e um grande beijo!

 

Manuela Dias: Tudo de melhor e um lindo 2016 pra você, beijos!



Escrito por No Mundo dos Famosos às 17h10
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