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ARQUIVO - NO MUNDO DOS FAMOSOS
 


Entrevista Especial com GUILHERME PIVA

 

O entrevistado de hoje aqui “No Mundo dos Famosos” nunca pensou em se tornar ator, mas – para nossa alegria – já está há mais de 20 anos exercendo, brilhantemente, esse ofício. Ele atuou em dezenas de novelas, em várias peças teatrais, também atuou no cinema e em outros programas de dramaturgia e, graças ao seu profissionalismo e talento, sempre deu um show de interpretação em cada personagem que fez. A nossa “Entrevista Especial” de hoje é com o querido e maravilhoso ator GUILHERME PIVA.

“A função social do ator é fundamental. Não tenho muita admiração por quem atua como forma de saciar o ego. É uma ilusão, pois só a pessoa goza. Acho que a arte tem que tocar, falar, questionar. Você tem que sair de uma obra diferente de como entrou”.

(Guilherme Piva)

Jéfferson Balbino: Como surgiu seu interesse pela carreira de ator?

Guilherme Piva: Nunca tinha pensado em ser ator. Eu queria ser publicitário, mas acabei cursando Direito por conta do meu pai que era advogado. Eu morava em Porto Alegre e nos mudamos para o Rio justamente quando ia começar a faculdade. Estava aqui no período de férias pra achar apartamento e me estabelecer, e lendo um jornal vi que tinha um curso de teatro na CAL. Aquele anúncio me chamou atenção e fui fazer um curso de férias. Nunca mais parei. No começo conciliei com a faculdade de Direito e depois não consegui mais por conta dos trabalhos. Mas preciso dizer que dois anos antes eu vim passar dois dias no Rio com meu pai e ele me levou pra assistir “Aurora da Minha Vida”. Fiquei encantado... Ali foi plantada uma semente.

Jéfferson Balbino: Seu primeiro grande sucesso aconteceu na novela “Xica da Silva” onde você deu vida ao personagem Zé Maria. O que você pode nos dizer sobre como foi vivenciar esse inesquecível personagem?

Guilherme Piva: Foi uma das experiências mais fortes da minha vida. Em todos os sentidos. Nunca tinha feito uma novela, só participações pequenas, e tudo era novidade pra mim. Estúdio, som, câmera, decorar muito texto de um dia para o outro, exposição, enfim, tive momentos de muita alegria, mas também de muita angústia. Mas fui muito bem conduzido pelo [Walter] Avancini. E esse trabalho se tornou um marco na minha vida.

Jéfferson Balbino: Tanto em “Xica da Silva” quanto em “Mandacaru” você foi dirigido pelo grande Walter Avancini. Como foi sua convivência com ele? Ele foi muito severo com você igual foi com alguns atores que eu já entrevistei (risos)?

Guilherme Piva: Minha experiência com o Avancini foi muito intensa e boa. Não tenho problemas com exigências quando ela vem de pessoas em quem confio e tenho admiração. E isso eu tinha por ele. Não poderia ter tido uma faculdade melhor na vida televisiva. Aprendi coisas que trago até hoje. Ele era moderno. Agora, tinha que saber lidar com ele. Não ficava intimidado. Muitas vezes tive medo, mas enfrentava e tinha humildade pra querer saber os caminhos. Então ele cedia. Acho que ele testava mesmo. O ator e a pessoa. Não era fácil, mas você acabava um trabalho com a sensação de que tinha dado o melhor que podia sempre. E muitas vezes me surpreendia ultrapassando limites que eu nem imaginava que conseguiria. Isso era muito excitante!

Jéfferson Balbino: Como você vê a função social do ator?

Guilherme Piva: A função social do ator é fundamental. Não tenho muita admiração por quem atua como forma de saciar o ego. É uma ilusão, pois só a pessoa goza. Acho que a arte tem que tocar, falar, questionar. Você tem que sair de uma obra diferente de como entrou. E estou falando de todos os tipos de obra de arte: ver um filme, olhar um quadro, ler uma poesia, assistir uma comédia de costumes, um stand up, etc. Tudo pode ter essa função. O “Porta dos Fundos” que eu sou fã tem um enorme apelo social, por exemplo, assim como as peças do Márcio Abreu que tem uma pesquisa excepcional como tantos outros.

Jéfferson Balbino: E como surgiu o convite para você dar vida ao Neves na novela “Esplendor”?

Guilherme Piva: Quando acabou meu contrato com a Manchete, a Globo me chamou pra fazer uma participação nessa novela.

Jéfferson Balbino: Ao longo de sua carreira televisiva você fez diversos personagens cômicos dentre eles estão o Alfeu de “Porto dos Milagres”, o monstro de “O Beijo do Vampiro”, o Smith de “Bang Bang”... Você prefere viver personagens densos ou personagens cômicos?

Guilherme Piva: Prefiro bons personagens. E gosto de dar o máximo de camadas que consigo em cada um. Por isso num drama tento ver o que há de risível e na comédia tento ver a tragédia daquele personagem. São camadas pra enriquecer, mas não posso negar que a comédia me fascina.

Jéfferson Balbino: Que lembranças você tem do seu trabalho nas novelas: “Chocolate com Pimenta” e “Começar de Novo”?

Guilherme Piva: “Chocolate com Pimenta” foi um trabalho muito feliz e de muito sucesso. A trama do Walcyr Carrasco era brilhante e tudo foi um acerto. Direção, atores, arte, enfim, tudo. Então era um playground. Já “Começar de Novo”, foi uma novela difícil. Aqueles mistérios que não se explicam. Tinha tudo para ser uma novela fantástica, mas infelizmente não aconteceu. Muitas coisas deram erradas e a novela desandou. Meu personagem era muito interessante, mas se perdeu. Até hoje penso que ele ainda daria um excelente personagem (risos).



Escrito por No Mundo dos Famosos às 13h36
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Entrevista Especial com GUILHERME PIVA

 

Jéfferson Balbino: O que você destacaria da sua carreira no Cinema?

Guilherme Piva: Sem dúvida nenhuma foi “Madame Satã”, um filme do Karin Ainouz. Foi uma experiência muito intensa. Nunca tinha vivido algo parecido. Infelizmente não fiz muito cinema, que é um veículo que eu adoro.

Jéfferson Balbino: Você também atuou em alguns sitcom’s e em algumas séries como: “A Grande Família”, “Sob Nova Direção”, “Linha Direta – Justiça”, ‘Faça Sua História”... Nesses trabalhos rápidos onde a vivência com o personagem é passageira e o tempo para construir o personagem é curto ainda assim é possível se satisfazer com o personagem?

Guilherme Piva: Nossa! Muito! São trabalhos fechados que você já sabe toda a trajetória do personagem. E isso não acontece em novela. Dá pra fazer o caminho todo e escolher de antemão os desenhos da trajetória emocional. Fora que são trabalhos muito bem cuidados e preparados. Um deleite!

Jéfferson Balbino: Quem são seus maiores ídolos na (tele) dramaturgia brasileira?

Guilherme Piva: Fui uma criança muito noveleira. Adorava! Então, gostava de todos porque todos faziam parte da minha vida e da minha fantasia. Mas não posso deixar de destacar o Gilberto Braga, por dois motivos: pelo brilhantismo de sua obra e porque foi por causa da novela “Água Viva” que meu amor pelo Rio de Janeiro começou e minha vontade se tornou realidade. Ainda acabei fazendo duas novelas dele que foram “Paraíso Tropical” e “Insensato Coração”, ou seja, um presente. Mas, agora temos autores novos brilhantes, uma galera de peso!

Jéfferson Balbino: Você também atuou nas minisséries “Incidentes em Antares” e em “Chiquinha Gonzaga”. Atuar em minissérie é mais ou menos trabalhoso para você do que atuar em novela?

Guilherme Piva: Jéfferson, eu te confesso que nessas duas experiências, que foram  participações especiais, eu não tive muito trabalho. Mas trabalho não é problema pra mim, pois gosto quando exigem mesmo. Gosto muito do meu ofício, então quanto mais material eu tenho para trabalhar, estudar, aprimorar é melhor.

Jéfferson Balbino: E como foi contracenar com a minha querida amiga Rosinha, a magistral atriz Rosamaria Murtinho, na novela “Sete Pecados”?

Guilherme Piva: Adoro a Rosamaria Murtinho. Uma das nossas grandes atrizes. Foi um deleite contracenar com ela. Embora, também, foi uma participação de uns 2 meses apenas, ela me ajudou muito. Porque eu entrei com a novela já no final. Eu estava sempre querendo conversar, inventar relações, marcas e ela dava o maior incentivo para ideias novas. Ela é uma atriz muito atual, fora que é um amor de pessoa.

Jéfferson Balbino: Na novela “Três Irmãs” você deu vida ao Glauco que era o dono da funerária de uma cidade que não morra ninguém – a exemplo da história de Odorico Paraguaçu na novela “O Bem Amado”. Como foi o processo de criação desse personagem? Até que ponto você se inspirou no personagem do saudoso Dias Gomes?

Guilherme Piva: Me diverti muito nesse trabalho. O personagem era incrível, um presente do [Antônio] Calmon. Claro que assisti “O Bem Amado”, tanto a novela, como a série, o filme, a peça e os trabalhos do Paulo Gracindo e do Marco Nanini, pois eles são excepcionais e não tem como não terem me influenciado. Mas meu personagem era mais soturno e ranzinza. Não tinha o caráter ‘político corrupto’, do Dias Gomes. Meu personagem era mais mequetrefe, uma delícia!

Jéfferson Balbino: Você também participou de algumas temporadas do seriado “Malhação”. Como foi trabalhar com a nova geração de atores?

Guilherme Piva: Fiz na verdade uma temporada da “Malhação”, a “Malhação Sonhos”. As outras duas foram participações. E posso dizer que foi um grande trabalho que me trouxe muitas alegrias. Texto e direção de alto nível. Um trabalho que me surpreendeu do começo ao fim... Fora que o time de jovens do elenco era de primeira. Sou fã de todos eles. Não eram jovens querendo fama e sucesso, mas sim jovens que vieram de escolas de teatro ou de outros trabalhos e o tempo todo se investigando, estudando, empenhados mesmo com o ofício, ou seja, um exemplo.

Jéfferson Balbino: E qual foi sua fonte de inspiração para viver o delegado Praxedes na belíssima novela “Lado a Lado”?

Guilherme Piva: Adoro fazer novela de época. Quando você veste o figurino, entra naqueles cenários incríveis já é meio caminho andado. E essa novela foi muito linda. Me inspirei um pouco nos meus antepassados italianos. Um povo imigrante que teve que desenvolver uma rigidez nos conceitos do que era certo ou errado. Uma dificuldade de afeto, mas uma devoção à matriarca da família.

Jéfferson Balbino: Você é um ator que assiste novelas? Quais foram às melhores novelas que você já assistiu?

Guilherme Piva: Já fui muito noveleiro. Hoje em dia por conta do tempo e dos trabalhos, sou menos. Não gosto de citar obras preferidas em nenhuma área. Simplesmente porque acho que as obras são importantes em determinadas épocas da vida que envolve como você está na sua vida também. Umas permanecem, outras foram importantes e fundamentais em certa época da vida. E não por isso são menores ou menos importantes. Não gosto de ficar preso a saudosismos, pois gosto de viver a arte no presente e ficar atento ao que sinto.

Jéfferson Balbino: Que tipo de personagem você sonha em interpretar?

Guilherme Piva: Gostaria de interpretar um psicopata social. Que muda de personalidade e de jeito para tirar o máximo proveito de cada situação. E gostaria muito de fazer um líder religioso – para o bem ou para o mal.

Jéfferson Balbino: E quando teremos o prazer de ver você novamente na telinha? Já tem algum trabalho em vista?

Guilherme Piva: Vou fazer uma peça com a Maria Clara Gueiros no próximo semestre. Com texto de Thereza Falcão e Alessandro Marson com direção de Marcelo Valle. E, também, vou dirigir uma peça na Argentina. Já para o ano que vem estou com uma novela engatilhada, mas ainda nada oficializado. Quando fechar eu conto.

Jéfferson Balbino: Querido, foi uma honra ter você aqui “No Mundo dos Famosos”. Parabéns pela brilhante carreira e um grande abraço!

Guilherme Piva: Muito obrigado, Jéfferson. O prazer foi todo meu. Abraço grande!



Escrito por No Mundo dos Famosos às 13h32
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